A brasileira Springs vai abrir capital na Nasdaq

22 Agosto 2008

Sócios investem US$ 56 milhões

A Spring Wireless, empresa que desenvolve e integra aplicações móveis para empresas - como softwares para celular usados por equipes de vendas para recolherem pedidos no comércio - vai receber um investimento de US$ 56 milhões de três investidores. Após o aporte, a empresa deve abrir capital na Nasdaq, bolsa americana para empresas de tecnologia, em 2009.

A primeira interessada na Spring foi a Ideiasnet, que conseguiu apoio financeiro do banco Goldman Sachs e do fundo de venture capital norte-americano New Enterprise Associates (NEA).

Por outro lado, a Intel Capital e um fundo que tinha a sueca Ericsson entre as sócias deixaram a Springs.

Com a capitalização, além de ampliar presença no mercado internacional, a Spring, que tem em sua carteira 150 clientes e 70 mil usuários em mais de 20 países, terá mais facilidade para abrir capital.

A decisão de lançar ações nos EUA está relacionada à visibilidade internacional que o IPO (oferta de ações) na Nasdaq dará à Spring.

Além disso, diz o presidente da Ideiasnet, Luis Alberto Reátegui, o modelo de empresas como a Spring “é, no momento, mais bem avaliado no exterior do que no Brasil”. Na opinião do diretor-financeiro da Ideiasnet, Rodin Spielmann, o mercado acionário brasileiro ainda não se habituou às empresas de tecnologia e telecomunicações. Mas isso não quer dizer que o mercado nacional esteja descartado. “É que, no momento, buscamos a melhor precificação do investimento.”

Com a injeção de recursos, a Spring Wireless fica avaliada em US$ 140 milhões, o que representa um retorno de aproximadamente 450% ao aporte inicial da Ideiasnet, que em dezembro de 2004 desembolsou R$ 4 milhões no projeto. A empresa, que antes detinha 10,8% de participação na Spring Wireless, agora terá 10,2% do capital.

Além dos três sócios, o restante do capital é controlado pela diretoria e parte dos funcionários.

Segundo Marcelo Condé, presidente da Spring, a idéia é ficar sem a figura de um acionista majoritário. “Optamos por manter uma estrutura parecida com as empresas do Vale do Silício”, afirmou. Hoje, 100 dos 600 funcionários têm uma participação no capital e a idéia é ampliar o número.

Os executivos da Ideiasnet destacam que esse foi o primeiro investimento do NEA na América Latina. Também é o primeiro fundo de capital de risco a entrar na Ideiasnet. “Os grandes investidores estão olhando para o Brasil e isso os atrai para Ideiasnet”, afirmou Reátegui. Segundo ele, a empresa conversa não só com os dois novos sócios, mas com outros investidores para capitalizar empresas já investidas e buscar novos negócios.

Veículo: O Estado de São Paulo

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